Noções sobre Usabilidade no Web design

A Usabilidade pretende estudar a facilidade de utilização e compreensão de uma interface, estando directamente ligada à facilidade que o utilizador tem em alcançar os seus objectivos. O estudo da Usabilidade numa aplicação Web é particularmente importante para tornar o site mais eficiente e produtivo. Este artigo pretende dar algumas noções sobre este assunto.

Componentes de Usabilidade

Jakob Nielsen, considerado pelo jornal The New York Times como “o guru da usabilidade em páginas de Internet”, definiu Usabilidade em cinco componentes diferentes:

Principio de George A. Miller’s

Deve-se seguir o princípio dos 7+-2 que surgiu fruto dos estudos de George A. Miller’s, onde é defendido que os humanos apenas conseguem reter entre 5 a 9 coisas na sua memória de curta duração. Assim, por exemplo deve-se, tipicamente, procurar limitar o número de opções dos menus a 7 opções distintas.

Regra dos 3 cliques

A regra dos 3 cliques defende que os utilizadores deixam de utilizar um site de Internet se com 3 cliques não conseguirem encontrar a informação que procuram. O mecanismo de navegação e estrutura hierárquica dos sites a construir deve ser pensado tendo em conta esta regra. Esta regra pode, contudo, não ser obrigatoriamente cumprida, caso o utilizador saiba onde está em cada momento da sua navegação e tenha uma percepção completa de como o sistema funciona.

Fitt’s Law

Identificada por Paul Fitts em 1954, a Fitt’s Law é um modelo que estuda o tempo para chegar a uma determinada área em função da sua distância e tamanho do alvo. Esta lei defende que, quanto mais distante e mais pequeno o alvo for, mais tempo é necessário a atingir esse alvo. Esta lei faz todo o sentido quando se trabalha com movimentos de rato e quando se pretende chegar do ponto A ao ponto B. De forma a respeitar este modelo, devem-se, por exemplo, usar botões de tamanho relativamente grande e em localizações próximas de onde o utilizador supostamente estará com o rato posicionado.

Simplicidade e facilidade de interacção

Aquando da primeira vez que os utilizadores interagem com um site, normalmente apreciam um design visual pormenorizado e imagens complexas. Contudo, posteriormente a essa visita, eles apenas pretendem utilizar esse site de uma forma rápida e que responda em conformidade com as suas rotinas.

Se uma interface web for de uso difícil, se for confusa, se não transmitir a mensagem chave da aplicação, se não permitir entender o que existe naquela aplicação, se for cansativa e mal organizada, entre outras questões, o visitante não irá continuar a navegar. Relativamente a sites de venda de produtos ou de promoção de empresas, o volume de negócios da empresa pode ser bastante prejudicado caso exista uma fraca Usabilidade.

Design de interfaces

Com os seus estudos ao nível do design de interfaces, Ben Shneiderman propôs um conjunto de princípios que derivam da experiência dos utilizadores e que se podem aplicar à maioria dos sistemas interactivos, podendo também ser aplicados no Web Design.

Testes de Usabilidade

Jakob Nielsen comprovou que o número de problemas de usabilidade encontrados num teste de usabilidade seguia a fórmula: formula_Jakob_Nielsen, onde é o número total de problemas de usabilidade, a percentagem de problemas descobertos por um utilizador de testes e o número de utilizadores de teste. Sabendo que o número tem tipicamente o valor de 31% e traçando o gráfico da função rapidamente se chega à conclusão que 5 é o valor ideal para o número de utilizadores de teste.

Problemas de Usabilidade

Assim, devem ser utilizados apenas 5 utilizadores de teste procurando evitar feedback repetitivo sobre os problemas de usabilidade e procurando manter uma equipa de testes mais coesa.

Existem mais conceitos importantes relativos a este tema, estas são apenas algumas das noções que procuro seguir quando desenvolvo sites para a Internet.

Introdução à tipografia para a Internet

alfabeto

Imagem retirada do site 72dpi.

A tipografia pode ser considerada como uma arte, que tem como principal objectivo esculpir a informação escrita, procurando melhorar a comunicação entre o escritor e o leitor. A tipografia tem, claramente, um papel fundamental na passagem da mensagem pretendida.

As fontes a utilizar

Relativamente à tipografia na Web, não tem interesse ter-se uma grande quantidade de fontes para se utilizarem na construção de um site, uma vez que o número de fontes suportadas, por defeito, nos diferentes sistemas operativos é muito reduzido, sendo posteriormente essas as fontes tipicamente disponíveis aos visitantes das páginas. Esta lista de fontes suportadas em todos os sistemas operativos é vulgarmente conhecida por the safe list. Existem formas de utilizar fontes fora desta lista. Contudo, estes métodos ainda não são suportados por alguns browsers de Internet.

É tipicamente recomendável o uso de uma font stack por forma a manter um design constante em diferentes sistemas operativos e em diferentes browsers.

Comprimento da linha

Para além do tipo de fonte, é também importante o comprimento da linha do texto. Linhas de texto curtas ou demasiado longas podem causar irritação ou um elevado grau de distracção para o leitor. Linhas demasiado curtas apenas devem ser utilizadas para textos muito pequenos, porque para textos grandes forçam o leitor a exageradas mudanças de linha o que acaba por ser um obstáculo à leitura. Relativamente a linhas excessivamente longas, estas tornam difícil a localização da próxima linha a ler, quando o leitor termina de ler a linha anterior. Para os principais conteúdos deverá ser respeitada uma medida entre 40 a 80 caracteres (incluindo espaços) para cada uma das linhas. Idealmente deve-se tentar atingir uma medida na ordem dos 65 caracteres.

Contraste

O contraste do texto é também muito importante para uma correcta leitura do seu conteúdo. Um aspecto importante a evitar é a utilização de cores complementares para as combinações entre o texto e seu respectivo fundo. Cores complementares são as cores que se situam do lado oposto uma da outra nos sistemas de cores. No sistema HSV são facilmente identificadas as cores complementares.

Tamanho da letra

O tamanho é outro aspecto a ter em conta. Existem alguns sites na Internet, inclusivamente já na era da Web 2.0, que insistentemente utilizam fontes muito pequenas em algumas porções de texto ou inclusivamente no texto todo. Se existe texto numa página, então deve-se conseguir ler facilmente o seu conteúdo, sendo que a adopção de fontes de tamanho muito pequeno em nada ajuda à leitura. Por conseguinte, sempre que possível, é aconselhável a utilização de tamanhos de fonte grandes e nunca abaixo dos 11 pixels.

Hierarquia

A hierarquia ao nível da importância de cada pedaço de texto presente numa página é um aspecto de grande influência na mensagem que se pretende passar ao visitante. Os diferentes tamanhos permitem, por um lado, evidenciar os elementos mais importantes numa página e, por outro, possibilitar a visualização de algo muito semelhante a um sumário sobre os assuntos que trata o site. Isto porque mesmo através de um simples piscar de olhos conseguem ser focados os temas e ideias principais de uma forma automaticamente estruturada pelo visitante. É aconselhável que o tamanho seja consistente ao longo de todas as páginas do site para manter alguma uniformização entre o mesmo tipo de componentes.

A localização dos conteúdos

Os visitantes reagem também de forma diferente aos textos conforme a sua localização na página. Tipicamente os textos colocados no corpo principal da página terão um impacto superior aos encontrados numa barra-lateral. Contudo, se pretendermos captar uma maior atenção do leitor para a barra-lateral, poderemos compensar, por exemplo, com um aumento do tamanho da letra nesta mesma barra-lateral. Particularmente neste aspecto da localização, é importante seguir algumas das convenções utilizadas na Internet de modo ao utilizador agir de forma instintiva ao primeiro contacto com a página.

A regra de Gutenberg dá algumas indicações importantes sobre este assunto, é possível ler alguma informação (em Inglês) sobre esta regra no site da NuvoGraphics.

Dar espaço para o texto respirar

O texto deve conseguir respirar e para isso deve ter espaço. Esse espaço permite focalizar a atenção do visitante no próprio texto que acaba por ser o mais importante para transmitir a mensagem. Uma regra seguida por muitos webdesigners é estabelecer, através do CSS, um espaçamento entre linhas de 140% o tamanho do texto.

Estes são alguns dos aspectos que penso serem importantes na âmbito da tipografia na Internet, se tiverem outros que considerem relevantes não hesitem em partilhar.

A tipografia utilizada nos logótipos da Web 2.0

logos-tipo-small

O logótipo pretende representar graficamente uma determinada marca e para isso faz uso de um desenho, de uma tipografia específica ou de uma fusão de ambos. Neste artigo são listadas as fontes utilizadas nos logótipos de algumas das empresas mais influentes na era da Web 2.0 e são também recomendadas mais 10 fontes, gratuitas, que penso serem adequadas à criação de logótipos semelhantes aos dessas empresas.

Continuar a ler o artigo…

Comunicação através da Internet na era Web 2.0

Já no século IV a.C. Aristóteles afirmava que “O Homem é um animal social”, passados cerca de 2300 anos a realidade permanece e o Homem continua a ser naturalmente carente, necessitando de comunicar com outras pessoas para alcançar a sua plenitude. Contudo, e apesar desta necessidade permanecer inalterada, a Internet, e especialmente a forte adopção das ideias da Web 2.0, veio alterar drasticamente a forma de comunicação entre as pessoas.

O meio de comunicação agora usado com frequência é a Internet, permitindo o contacto quase instantâneo com qualquer pessoa no mundo. Criam-se por vezes redes bastante complexas e ampliadas, através de serviços como o Twitter ou o Facebook, que definem a nossa actividade social na Internet. Ainda assim, continuam a existir alguns núcleos bem definidos onde estão os nossos contactos mais próximos e outros que inclusivamente já conhecemos pessoalmente. Quanto a mim, o maior potencial das aplicações sociais da Web 2.0 é a facilidade com que estes núcleos rapidamente se interligam entre si e também a comodidade com que podemos saltar entre estes conjuntos diferentes de pessoas assumindo rapidamente contextos e papéis diferentes. Desta forma, é assim possível chegar mais comodamente e mais rapidamente a um maior número de pessoas.

No entanto, toda esta facilidade tem um inconveniente que é a falta de um convívio mais natural e transparente entre as pessoas. A Internet ainda não permite um nível de imersão suficiente que possibilite com que as pessoas se relacionem mais espontaneamente e a um nível mais íntimo. Nas interacções com as pessoas que não conhecemos pessoalmente, a Internet desempenha um papel maioritariamente com objectivos profissionais ou ao nível de troca de informações de carácter mais impessoal.

levels-intimacy-communication

Imagem da autoria de Ji Lee’s, clicar aqui para ampliar.

Ainda assim e apesar de estar normalmente associado um nível mais baixo de intimidade a serviços como o Twitter (e até o Facebook) estes podem claramente ter um papel importante num primeiro contacto entre as pessoas. Como referi podem ser excelentes formas de conhecer mais pessoas e também pessoas fora do nosso núcleo habitual do quotidiano, com as quais posteriormente se poderá construir gradualmente algumas amizades.

Não é viável, nem saudável, que a Internet seja o meio exclusivo de comunicação entre as pessoas, mas caso se consiga tirar partido o máximo partido das suas vantagens e atenuar os seus maiores defeitos penso que será cada vez mais um instrumento de união entre todos nós.

As nossas vidas cada vez mais na nuvem

Tem-se vindo a verificar-se uma mudança de mentalidades na utilização da Informática e da Internet para o utilizador final, estando a crescer uma filosofia denominada de cloud computing.

O cloud computing, de uma forma muito básica, diz respeito à utilização da Internet como uma nuvem onde, entre outras coisas, estão as nossas aplicações e os nossos documentos. O utilizador é abstraído de todos os requisitos tecnológicos e através da Internet, tipicamente com a utilização de um simples browser, controla e acede aos seus dados. O Gmail, Yahoo! Mail, Dropbox, Flickr e YouTube, são alguns exemplos de aplicações que, de certa forma, adoptam o conceito de cloud computing.

Existem várias vantagens para o utilizador comum em utilizar esta filosofia, por exemplo na maioria das vezes não é necessário instalar aplicações na sua máquina. Outra vantagem clara é que o trabalho em equipa e a partilha de dados torna-se muito mais fácil uma vez que toda a informação está fisicamente no mesmo local (na nuvem).

Contudo também existem algumas desvantagens, nomeadamente o facto de se ter que obrigatoriamente confiar nas entidades que fornecem os serviços uma vez que são essas entidades que processam e guardam as informações. Outra típica desvantagem é que, apesar das recentes melhorias, ainda não se consegue um nível de interactividade e de imersão do utilizador tão elevado como se os dados e as aplicações estivessem fisicamente no computador do utilizador.

De seguida encontra-se um infográfico, retirado daqui, que mostra bem esta tendência crescente de todos nós colocarmos cada vez mais as suas nossas vidas na nuvem.

Continuar a ler o artigo…

Página 1 de 212